7 de março de 2013

UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS DA CREDITO ALIMENTAR AO ACHATINA FULICA.



07h08, 05 de Fevereiro de 2013

Pesquisa revela que caramujo africano pode ser consumido, veja como

Segundo pesquisa da Ufal, o caramujo pode ser usado para produção de medicamentos.
Internauta
No início deste ano, a população de Rio Largo-AL ficou alarmada com a invasão de caramujos africanos na cidade, que faz parte da grande Maceió. O medo foi gerado por conta de informações de que esse tipo de molusco, originário da África, pode transmitir doenças graves, como a Meningite. No entanto, o veterinário Maurício Carneiro de Aquino, mestrando em Ciência da Saúde pela Universidade Federal de Alagoas, contesta essa teoria e defende o caramujo, tanto para alimentação como para produção e medicamentos.
De acordo com Maurício Aquino, qualquer carne crua de animal pode transmitir doenças, por isso, é recomendação geral cozinhar bem o alimento antes de consumi-lo. “A carne de porco, por exemplo, transmite uma doença chamada cisticercose, que mata aproximadamente cem pessoas por ano no país. O caracol africano, desde que chegou aqui há 24 anos, não foi responsável pela transmissão de doença e não foi registrado nenhum óbito relacionado ao consumo do achatina fulica", afirmou o veterinário.
Segundo Aquino, a doença mais comumente associada ao caramujo africano é a Meningite Eosinofílica. "Na verdade, no Brasil foram registrados apenas seis casos dessa doença e nenhum deles foi transmitido pelo caramujo. O que existe é uma tendência alarmista dos pesquisadores que acabou levando à proibição de criar o molusco, em 2003. Por conta disso, alguns criadores se revoltaram e soltaram os animais no meio ambiente, onde eles se proliferaram", destacou o pesquisador.
Estudos sobre o caramujo africano
A dissertação de mestrado de Maurício Aquino é justamente sobre a utilização do caramujo africano para a produção de medicamentos. Ele defende que, além de fonte de alimentação, o molusco também tem algumas propriedades farmacológicas. São essas possibilidades de uso que ele analisa, sob orientação da professora Marília Goulart, doutora em Química, com pós-doutorado na Alemanha e na Inglaterra.
De acordo com o pesquisador, o muco produzido pelo caramujo pode ter propriedades medicinais importantes. "Já tem estudos no Brasil revelando que a secreção produzida pelo caramujo para se proteger e manter a pele úmida, também tem potencial cicatrizante. Essa é a linha de pesquisa que estou desenvolvendo na Ufal, testando a possibilidade de uso do muco para estimular a regeneração de vários tipos de tecidos", explicou Aquino.
Para saber mais sobre as pesquisas desenvolvidas pelo veterinário e mestrando em Ciências da Saúde clique aqui.
Consumir é a solução
O caramujo africano foi introduzido no Brasil para ser uma alternativa mais barata ao escargot francês. No início, a criação foi incentivada, com o surgimento de associações de Helicicultores em todo o país. Aquino, inclusive, presidiu a primeira delas, no Rio de Janeiro. Para ele, agora que o molusco se espalhou, só há uma forma eficiente de acabar com a superpopulação de caramujos que incomodam moradores de várias cidades brasileiras: consumi-lo.
O veterinário garante que a carne do caramujo é tão rica em proteínas quanto qualquer outra consumida pelas famílias brasileiras, com a vantagem de ser muito mais barata. Ele afirma também que para evitar a contaminação por doenças, basta cozinhar bem.
A resistência ao consumo de molusco, de acordo com o veterinário, é apenas uma questão cultural. "Não sei a quem interessa diretamente o combate do caramujo, mas só imagino a quantidade de recursos distribuída de norte ao sul do Brasil para esta tentativa frustrada de erradicá-lo. Só o que podemos fazer é controlar a quantidade de animais. O único país que vem conseguindo isso é a China, através da coleta para o consumo humano. Tudo é questão de costume. Eu tenho preparado esses invasores para consumo próprio sempre que os encontro e aprecio muito", ressaltou o pesquisador.
Fonte: Ascom/Ufal

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