12 de janeiro de 2013

O QUE SE PODE FAZER PRATICANDO A CORRUPÇÃO.


06/01/2013 - 06h00

Favela 'escala' a serra do Mar em São Sebastião, no litoral de SP

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NATÁLIA CANCIAN
ENVIADA ESPECIAL AO LITORAL NORTE
Folha VerãoHá cerca de um mês, Erlândia da Silva, 29, embarcava em um ônibus em Itabuna (BA) rumo ao litoral norte, com os quatro filhos. O mais novo, de dois anos, foi no colo. "Entrei e me mandei. Vim com a força e a coragem."
Uma das favelas mais antigas de São Sebastião, entre as badaladas praias da Barra do Sahy e da Baleia, e criada nos anos 1970, a antiga Vila Baiana (hoje Vila Saí) recebe uma nova onda de migrantes.
Atraídos pelo sonho do trabalho no litoral paulista, a maioria dos migrantes vem, além da Bahia, dos demais Estados do Nordeste. Há ainda quem chegue de outros lugares, como o Paraná.
Editoria de Arte/Folhapress
A maioria procura emprego na construção civil e em serviços gerais para os condomínios de luxo.
Segundo moradores, depois de ficar cerca de três anos sem receber novos habitantes, a favela voltou a crescer. Só nesta última temporada, o número de habitantes no bairro aumentou 50%, estimam. A favela tem cerca de 3.000 habitantes, de acordo com a associação local.
A migração atinge uma área "congelada" pela prefeitura, ou seja, impedida de receber novas construções.
"Está vindo muita gente", conta a vendedora Ângela Maria da Silva, 56, que mora há 12 anos no local. "Um parente manda vir o outro."
Segundo ela, esse "congelamento" funcionou no início, em 2007, mas agora houve uma outra explosão.
"Do lado da praia, condomínios estão fechando áreas e colocando avisos de espaço restrito", diz a presidente da Amovila (Associação de Moradores da Vila Saí), Regina Raymundo, 39. "É a invasão de alto padrão. Aqui é a invasão das pessoas carentes", compara Regina.
Ela se refere ao avanço de condomínios de luxo na região das praias da costa sul, como a Barra do Sahy, separada do bairro apenas pela rodovia Rio-Santos.
Segundo o subdelegado do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) em São Sebastião, Eliazar Simioni, o número de novas construções na região cresce cerca de 20% ao ano.
"O problema é que tem vindo muito mais gente do que tem trabalho", diz ele.
O custo de vida na região é outro desafio. "É complicado, porque nós [moradores] pagamos o mesmo valor do turista. E eles [migrantes] não têm noção disso. Muitos sabem que vão ganhar bem, mas não que vão gastar bem", diz a presidente da associação dos moradores.

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