10 de janeiro de 2013

Águas de lá, águas de cá


A NOTÍCIA 10 de janeiro de 2013. | N° 1732

ARTIGOS
Águas de lá, águas de cá
por Eduardo Gineste Schroeder*
Talvez você não saiba, mas além de concentrar interesse planetário, sobretudo como um dos ícones Mundiais do capitalismo, da inovação, da moda e de modismos, a cidade de Nova York possui um sistema de produção e distribuição de água potável considerado modelo mundial em gestão de recursos hídricos.
O principal “segredo” foi a sábia decisão estratégica tomada anteriormente pelos gestores, quando a situação de abastecimento de água mostrava-se preocupante diante das demandas crescentes, e que
pode ser resumida na expressão “melhor não sujar, do que sujar e ter que limpar”.
Apoiado no firme propósito da conservação da qualidade dos mananciais existentes, localizados a mais de 200 quilômetros de distância e responsáveis por abastecer a cidade de Nova York, com mais de oito
milhões de pessoas, a cidade preferiu pagar pelos serviços ambientaisque a natureza realiza.
Nesta linha, ao invés dos investimentos necessários na implantação de estações de tratamento de água, a opção foi a contínua compra pública de áreas formadoras dos mananciais. A permanência dos proprietários
originais desenvolvendo atividades rurais produtivas, mas com rigoroso respeito aos critérios de manejo ambiental, vem garantido satisfação e resultados excelentes.
Redirecionando nossa observação para a situação do nosso principal manancial, localizado junto à Serra Dona Francisca, e no no que pesem os esforços em contrário, a situação a longo prazo causa preocupação.
O inovador e premiado programa de monitoramento ambiental e de apoio a agricultores e proprietários rurais, desenvolvido na região da APA Serra Dona Francisca, denominado SOS Nascentes, ao que consta, parece não ter mais o fôlego necessário para cumprir seus objetivos.

A finalização, após 15 anos, conforme noticiado, do Plano de Manejo da APA Serra Dona Francisca, junto às ações práticas do Programa SOS Nascentes revigorado, deverá servir como base para as ações integradas na área.
Precisamos urgentemente recolocar, junto aos objetivos estratégicos ambientais e econômicos da cidade, a necessidade de uma efetiva dinamização da gestão socioambiental da região, assim como o apoio
incondicional aos seus agricultores e proprietários no cumprimento das determinações pertinentes.

*arquiteto urbanista

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