26 de dezembro de 2012

UM SECULO DE HIPOCRISIA


por Rodrigo Constantino

'É divertidíssima a esquizofrenia de nossos artistas e intelectuais de
esquerda: admiram o socialismo de Fidel Castro, mas adoram também três
coisas que só o capitalismo sabe dar - bons cachês em moeda forte;
ausência de censura e consumismo burguês. Trata-se de filhos de Marx numa
transa adúltera com a Coca-Cola... ' (Roberto Campos)

O arquiteto Oscar Niemeyer completou um século de vida sob grande
reverência da mídia. Ele foi tratado como 'gênio' e um 'orgulho nacional',
respeitado no mundo todo. Não vem ao caso julgar suas obras em si, em
primeiro lugar porque não sou arquiteto e não seria capaz de fazer uma
análise técnica, e em segundo lugar porque isso é irrelevante para o que
pretendo aqui tratar.

Entendo perfeitamente que podemos separar as obras do seu autor e
julgá-los independentemente. Alguém pode detestar a pessoa em si, mas
respeitar seu trabalho. O problema é que vejo justamente uma grande
confusão no caso de Niemeyer e tantos outros 'artistas e intelectuais' . 
O que acaba sendo admirado, quando não idolatrado, é a própria pessoa. E,
enquanto figura humana, não há nada admirável num sujeito que defendeu o
comunismo a vida inteira.

Niemeyer, sejamos bem francos, não passa de um hipócrita. Seus inúmeros
trabalhos realizados para governos, principalmente o de JK, lhe renderam
uma bela fortuna. O arquiteto mamou e muito nas tetas estatais,
tornando-se um homem bem rico. No entanto, ele insiste em pregar, da boca
para fora, o regime comunista, a 'igualdade' material entre todos. Não
consta nas minhas informações que ele tenha doado sua fortuna para os
pobres. Enquanto isso, o capitalista 'egoísta' Bill Gates já doou vários
bilhões à caridade.

Além disso, a 'igualdade' pregada por Niemeyer é aquela existente em Cuba, cuja
ditadura cruel o arquiteto até hoje defende. Gostaria de entender como alguém que defende Fidel Castro, o maior genocida da América Latina,pode ser uma figura 
respeitável enquanto ser humano. São coisas completamente contraditórias e 
impossíveis de se conciliar. Mostre-me alguém que admira Fidel Castro e eu lhe
garanto se tratar ou de um perfeito idiota ou de um grande safado. E vamos 
combinar que a ignorância é cada vez menos possível como desculpa para defender algo tão nefasto como o regime cubano, restando apenas a opção da falta de carátermesmo.
Ainda mais no caso de Niemeyer.

Na prática, Niemeyer é um capitalista, não um comunista. Mas um capitalista da 
pior espécie: o que usa a retórica socialista para enganar os otários. Sua festa do centenário ocorreu   em São Conrado , bairro de luxo no Rio, para 400 
convidados. Bem ao lado, vivem os milhares de favelados da Rocinha. Artistas de
esquerda são assim mesmo: adoram os pobres..., de preferência bem longe.

Outro aclamado artista socialista é Chico Buarque, mais um que admira Cuba
bem de longe, de sua mansão. E cobra caro em seus shows, mantendo os pobres bem 
afastados de seus eventos. A definição de socialista feita por Roberto Campos nosremete diretamente a estes artistas: 'No meu dicionário, [WINDOWS-1252? ]'
socialista' é o cara que alardeia intenções e dispensa resultados, adora ser 
generoso com o dinheiro alheio, e prega igualdade social, mas se considera mais 
igual que os outros'.

Aquelas pessoas que realmente são admiráveis, como tantos empresários que
criam riqueza através de inovações que beneficiam as massas, acabam vítima
da inveja esquerdista. O sujeito que ficou rico porque montou um negócio,
gerou empregos e criou valor para o mercado, reconhecido através de trocas
voluntárias, é tachado de 'egoísta', 'insensível' ou mesmo 'explorador'
por aqueles mordidos pela mosca marxista. Mas quando o ricaço é algum
hipócrita que prega aos quatro ventos as 'maravilhas' do socialismo,
vivendo no maior luxo que apenas o capitalismo pode propiciar, então ele é
ovacionado por uma legião de perfeitos idiotas, de preferência se boa
parte de sua fortuna for fruto de relações simbióticas com o governo.

Em resumo, os esquerdistas costumam invejar aquele que deveria ser
admirado, e admirar aquele que deveria ser execrado. É muita inversão de
valores!

Recentemente, mais três cubanos fugiram da ilha-presídio de Fidel Castro.
Eles eram artistas, como o cantor Chico Buarque, por exemplo. Aproveitaram
a oportunidade e abandonaram o 'paraíso' comunista, que faz até o Brasil
parecer um lugar decente. Eu gostaria de aproveitar a ocasião para fazer
uma proposta: trocar esses três 'fugitivos' que buscam a liberdade por
Oscar Niemeyer, Chico Buarque e Luiz Fernando Verissimo, três adorados
artistas brasileiros, defensores do modelo cubano. Claro que não seria uma
troca compulsória, pois estas coisas autoritárias eu deixo com os
comunistas, que abominam a liberdade individual. A proposta é uma
sugestão, na verdade. Acho que esses três comunistas mostrariam ao mundo
que colocam suas ações onde estão suas palavras, provando que realmente
admiram Cuba. Verissimo recentemente chegou a escrever um artigo
defendendo Zapata e Che Guevara. Não seria maravilhoso ele demonstrar a
todos como de fato adora o resultado dos ideais dessas pitorescas figuras?

Enfim, Niemeyer completa cem anos de vida. Um centenário defendendo
atrocidades, com incrível incapacidade de mudar as crenças diante dos
fatos.

O que alguém como Niemeyer tem para ser admirado, enquanto pessoa? Os
'heróis' dos brasileiros me dão calafrios! Eu só lamento, nessas horas,
não acreditar em inferno. Creio que nada seria mais justo para um
Niemeyer quando batesse as botas do que ter de viver eternamente num lugar
como Cuba, a visão perfeita de um inferno, muito mais que a de Dante. E
claro, sem ser amigo do diabo, pois uma coisa é viver em Cuba fazendo
parte da nomenklatura de Fidel, com direito a casas luxuosas e Mercedes na
garagem, e outra completamente diferente é ser um pobre coitado qualquer
lá. Acredito que esse seria um castigo merecido para este defensor de
Cuba, que completa um século de hipocrisia sendo idolatrado pelos idiotas.

-- 
kcetadasdoafonso.blogspot.com

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