28 de dezembro de 2012

O CORRUPTO ESTADO BRASILEIRO CONTINUA CRESCENDO


Criaturas do Estado - MIRIAM LEITÃO
O GLOBO - 21/12

O governo criou mais uma estatal. Não é notícia velha. Fez isso de novo
ontem. Ao anunciar que privatizará os aeroportos do Galeão e de Confins, o
governo deu à luz a Infraero Serviços. Quando divulgou o plano de
investimento em ferrovia, criou a Empresa de Planejamento e Logística.
Criou também a Segurobrás e a Amazul. Elas nascem do nada e são criaturas
que se reproduzem.

Alguém tem que avisar à presidente Dilma Rousseff que o modelo econômico
do governo militar fracassou. Naquele finado regime, que ela combateu,
foram criadas estatais que se tornaram gigantes, deficitárias,
ineficientes. Com raras e honrosas exceções.

Para que mesmo se quer uma segunda Infraero na hora que o governo está
privatizando aeroportos? Pela explicação do responsável de plantão, a nova
criatura vai atuar em parceria com operadores internacionais na prestação
de serviços. Uma estatal que mal presta os serviços que deveria prestar
cria agora uma nova empresa para especificamente prestar serviços.

Em agosto, criou-se a Agência Brasileira Gestora de Fundos e Garantias.
Sua função era fazer o seguro dos riscos envolvidos no pacote de
infraestrutura. O pacote, aliás, trouxe a bordo a estatal Empresa de
Planejamento e Logística (EPL). A EPL nasceu da Etav, que havia sido
criada para gerir o trem-bala. Além disso, o governo aumentou as funções
da Valec, que vinha de escândalos e ineficiências.

Dias antes, também no mês de agosto, nasceu a Amazul, a empresa de número
126 no coletivo de estatais brasileiras. A Amazul, por sua vez, nasceu da
Engepron. Ou seja, as engenhocas se reproduzem. O nome completo das
distintas: Amazul, Amazônia Azul Tecnologias de Defesa; Engepron, Empresa
Gerencial de Projetos Navais. Se você não está ligando o nome ao projeto,
não está sozinho.

Em levantamento feito meses atrás, o jornal "Estado de S. Paulo" falava em
oito estatais criadas nos governos Lula/Dilma. Mas a fábrica continuou
ativa. Há as que não sobrevivem, mas antes de deixarem esse mundo consomem
recursos públicos. Foi o que aconteceu com o Banco Popular do Brasil, que
nasceu no final de 2003, teve prejuízo em 2004, começou a ser desativado
em 2005 e foi oficialmente sepultado em 2010.

Outras sobrevivem, como a Petro-sal, que será responsável pela gestão dos
contratos de partilha de produção e comercialização de petróleo e gás do
pré-sal. Isso faz com que o Brasil tenha duas estatais de petróleo.

Foi criada uma empresa para fazer hemoderivados e outra para administrar
unidades hospitalares, a EBSERVH. Uma para fazer chips, a Ceitec. Foi
lançada também uma Empresa Brasileira do Legado Esportivo Brasil 2016. Ela
já foi extinta e deixou como legado um prejuízo de R$ 4,6 milhões.

Uma das criaturas tem nome inesperado: Agnes. Quer dizer: Águas de
Integração do Nordeste Setentrional. Como se pode imaginar, cuidará do Rio
São Francisco quando ele for transposto. A Empresa de Planejamento
Energético, ao contrário de várias das suas irmãs, tem existência no mundo
real, mas uma parte do seu financiamento acaba de falecer. Recebia 3% da
Reserva Global de Reversão, um penduricalho da conta de luz que foi
extinto na última mudança do setor elétrico.

Empresas para produzir derivados de sangue, administrar hospitais, gerir
águas de um rio, fabricar chips, criar equipamentos para a Marinha, cuidar
de trens, comprar a oferta de carga dos trens, oferecer seguros para
projetos estatais e prestar serviços aeroportuários dentro da estatal de
infraestrutura aeroportuária.
Você pode não saber para que servem, mas é seu o dinheiro que pagará a
conta dos extemporâneos delírios estatistas de Brasília.

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