22 de novembro de 2012

Tentando planejar a cidade



Gert Roland Fischer

O Estatuto das cidades brasileiras estabeleceu para povoados com mais de 20.000 habitantes a criação dos conselhos da Cidade para poder planejá-las num grande mutirão da cidadania.
As cidades serão o que a cidadania e a democracia desejarem.
Se a sociedade não tiver este discernimento, se  os cidadãos não estiverem atentos e de plantão, certamente serão presa fácil de grupos oportunistas que usarão o espaço urbano, para criarem leis que somente os beneficie. As câmaras de vereadores foram e continuam sendo canibalizadas.
Incorporadores, construtoras, imobiliárias, loteadoras e sindicatos da construção civil, se juntam para que leis sejam  aprovadas garantindo lucros espetaculares com baixíssimos investimentos. Os lucros não serão democratizados. Poucos, pouquíssimos serão os detentores desses bilionários negócios encorajados por uma classe media emergente que tem como sonho de  consumo, ser proprietário de AP na selva do concreto. Serão esses mesmos que  pagarão pelo estrago espacial causado nos perímetros urbanos e nas zonas de transição.
O planejamento urbano e a nova LOT – a lei de ordenamento territorial a ser aprovada pela CVJ,  tem dois imbróglio mentirosos que se pretende enfiar goela abaixo do povo da maior cidade do Estado:
ZONAS DE TRANSIÇÃO, espaço rural dos cinturões verdes das grandes cidades, onde se produzem verduras que não suportam longas distancias sem perderem radicalmente a qualidade nutricional. Vereadores ao serem balconizados se tornaram “sensíveis”a essas idéias fabricadas pelo setor. Com $tratamento$ de choque, passaram a apoiar e querem aprovar a nova lei para criar lotes mínimos de 2.500 m2 = 50 metros de frente por 50 metros de fundos nestas zonas de transição. O setor imobiliário de Joinville vem há tempos comprando propriedades agrícolas nas estradas rurais do município. Fizeram investimentos simbólicos, enganando os proprietários rurais que acreditaram ter feito  bons negócios. Coitados, mais uma vez enganados, como tantas vezes o foram pelos espertalhões urbanóides - forasteiros muitos deles. Daí a “pressão” sobre os vereadores para que as aprovem. Caso aconteça, serão ofertadas nas imobiliárias, negócios espetaculares com a oferta de milhares de micro-chácaras  para a classe media enjaulada nos APs de concreto dos alguns programados para 26 andares.
ESTUDOS DE IMPACTO DE VIZINHANÇA – Não se tem ainda o conhecimento correto, de como foi eliminado da legislação urbana de Joinville, a exigência técnica do EIV – Estudos de Impacto de vizinhanças. Deixou de ser exigido para grandes projetos imobiliários no município. Faltando esses estudos para aprovação dos licenciamentos ambientais, ficará toda a população a mercê do canibalismo incorporativo. Esses estudos garanteriam ao cidadão a saúde, mobilidade, educação, segurança  e todos os serviços ambientais como: temperaturas amenas, circulação atmosférica confortável, insolação para neutralizar os mofos, serviços sanitários com tratamento, água de boa qualidade, laser digno, diversão e paz social. Tudo isso em Joinville na LEI DA LOT, não foi e não será considerado.

O que os moradores dos bairros de Joinville acreditam que vai acontecer com a proposta de LOT que esta no $colo$ dos vereadores? 

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