1 de agosto de 2012

Jornalista Altamir Andrade: Livro de jornalista joinvilense é destaque em camp...

Livro de jornalista joinvilense é destaque em campanha nacional contra uso de resíduos industriais na produção de alimentos


Denunciadas como cancerígenas, além de matéria-prima para construção de calçadas, como esta ao redor do 62o BI, no bairro Atiradores, e obras de saneamento da Cia Águas de Joinville, areias residuais de fundições poderão ser usadas na agricultura para produção de alimentos


A Defensoria Social denuncia que é absurda a articulação empresarial que pretende criar mecanismos para reuso das areias de fundições em obras públicas e na agricultura. No início do mês de agosto de 2012, o Núcleo de Meio Ambiente da Acij (Associação Empresarial de Joinville) promove um debate com órgãos licenciadores sobre o assunto.

O tema também é destaque no fórum “Diálogos por um Brasil Sustentável”, no mês seguinte, no Rio de Janeiro, ocasião de anúncio de lançamento do livro “O Gigante Acuado” que aborda série de reportagens feitas nos últimos dez anos pelo JOV (Jornal O Vizinho) sobre o destino inadequado das areias residuais da Tupy Fundições S.A. em Joinville.

Joinville lidera a iniciativa de uso de resíduo industrial na produção de alimentos. Para a Defensoria Social, nem produtos orgânicos estarão livres dos contaminantes. A entidade inicia uma campanha nacional contra a iniciativa que está para ser votada e aprovada pelo Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente).


Um dos mais importantes estuários do hemisfério sul, a Baía Babitonga, está assoreado e contaminado por dejetos industriais, principalmente de indústrias joinvilenses

As indústrias de fundições deveriam depositar suas areias residuais em aterros industriais controlados. Mas, a maior fundição do mundo do setor, a Tupy Fundições S.A., com sede em Joinvile, SC, no bairro Boa Vista, tem no seu histórico o registro de espalhamento de milhares de toneladas pela região. Até poucos anos os moradores podiam retirar, gratuitamente, o que era tido como “areia boa” do pátio da Tupy para espalhar em seus terrenos. “Areia boa” porque nem tiririca nasce onde o resíduo industrial é espalhado.

Outras milhares de toneladas estão assoreando a Baía Babitonga. Segundo o IGWC (International Global Water Coalition), que tem sede em Genebra, na Suiça, animais desse ecossistema, como as toninhas, estão contaminados com elementos cancerígenos residuais também de fundições.
Quando a Tupy Fundições tinha seu próprio porto nos fundos da indústria na Lagoa Saguaçú, barcaças traziam areia virgem do bairro Paranaguamirim. Quando retornavam, não iam vazias, muitas levavam areia residual que ia sendo espalhada pela Baía. As montanhas de areia que deveriam estar nos fundos da indústria estão, invertidas, como icebergs, na Baía Babitonga, assoreando-a e contaminando um dos mais importantes ecossistemas do hemisfério sul, de acordo com o Movimento Grito das Águas.

Prefeitura tem histórico criminoso também. Para piorar, obras públicas foram construídas com essas areias. Quadras de esportes principalmente em bairros nos arredores da empresa foram aterrados com areias contaminadas com elementos cancerígenos, doadas pela empresa para a prefeitura. Estradas e praças também. Durante anos, a indústria livrou-se de enorme passivo ambiental e socializou-o com a população contaminando praticamente todo o lençol freático da região.

 alguns anos o JOV (Jornal O Vizinho) vem alertando sobre essas práticas. A empresa se viu obrigada a parar com as doações da “areia boa”. Mas, está encontrando outro caminho para, mais uma vez, socializar seu passivo ambiental com a sociedade.

Num movimento apoiado pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) e Acij (Associação Empresarial de Joinville), essas areias estão sendo usadas para produção de pavers (blocos de cimento) usados na construção de calçadas, como a que circunda o 62o BI de Joinville, no bairro Atiradores.

Outras obras públicas como escolas também devem ser “beneficiadas” com essa generosidade da empresa que conta com o apoio e a defesa do atual governo municipal de Joinville, sob o comando do petista Carlito Merss.

Outro destino ainda mais “nobre” está sendo defendido por empresas do setor. O uso das areias residuais de fundições na agricultura. Em maio desse ano, engenheiros e especialistas da Tupy Fundições S.A. fizeram apresentação e defesa dessa prática em reunião do Comdema (Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente), na Acij.
Na ocasião, uma das maiores especialistas no assunto, e também conselheira do Comdema, foi pragmática. A Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Univille, que foi uma das primeiras a pesquisar o reuso de areias de fundições no país, alerta que o uso do resíduo na agricultura é um risco. “Não há estudo de longo prazo, ensaio crônico, para afirmar que o uso das areias residuais de fundições não farão mal à saúde humana”, enfatizou a Dra. Therezinha Maria Novais de Oliveira. “O efeito da toxidade crônica pode aparecer só na terceira ou quarta geração”, alertou aos conselheiros, rebatendo as alegações dos representantes da Tupy Fundições S.A.
Em réplica à pesquisadora, os técnicos da empresa alegaram que nos USA as areias residuais de fundições já são reaproveitadas na construção civil e também na agricultura. Therezinha Novais lembrou que não se pode confiar num país que não assinou o protocolo de Kyoto. “Não dá para usar seus parâmetros como referência”, rebateu a especialista joinvilense. “Devemos nos preocupar com esses ‘padrões’ que dizem estar tudo OK ou com o futuro das nossas gerações”, interpelou a Pró-Reitora da Univille.
O Secretário Geral da Defensoria Social faz coro com a joinvilense e vem denunciando essas práticas que classifica de “criminosas” contra a humanidade. “As fundições estão se livrando de seus passivos ambientais contaminando o solo, os lençóis freáticos, o ar, rios e mares, como acontece em Joinville. Vamos mobilizar o mundo para impedir esse absurdo liderado por Joinville”, avisa Leonardo Aguiar Morelli.
O Conama está em vias de votar e aprovar o uso de areias de fundições na agricultura para a produção de alimentos. Segundo Morelli, "algumas 'cabeças iluminadas' das empresas joinvilenses Tupy e Schulz lideradas pela Fiesc apresentaram esse absurdo ao Conama e convenceram seus técnicos de algo que o Ministério da Saúde é contra. Se for aprovado eles vão colocar mais veneno nas mesas dos brasileiros".
“O Gigante Acuado” marca início de campanha nacional contra o reuso inadequado das areias de fundições. Em setembro de 2012, no Rio de Janeiro, no Fórum “Diálogos por um Brasil Sustentável” será anunciado o lançamento do livro que narra o histórico de reportagens e denúncias contra o reuso das areias da Tupy Fundições S.A. publicados nos últimos dez anos no JOV (Jornal O Vizinho). “É parte da história do menor jornal do Brasil num embate contra a maior fundição do mundo. Uma luta de ‘Davi X Golias’ onde o poder político e econômico vem sufocando e penalizando o jornal, mas que seu editor foi reconhecido pela ONU 'Parceiro da Paz e Sustentabilidade', honraria conferida em eleição por colegiado de 14.000 jornalistas de 30 países e que será lançado em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos”, anuncia Morelli.
A Defensoria Social denuncia que é absurda essa articulação empresarial que pretende criar mecanismos para reuso das areias de fundições em obras públicas e na agricultura e que ainda conta com a conivência de alguns profissionais de órgãos ambientais do setor público como a Fatma (estadual) e a Fundema (Municipal). "A Fatma é um órgão público comandado por indicações políticas comprometidas com o poder econômico e que tem relações promíscuas com muitas indústrias. Mas, nem todos os seus técnicos e líderes pactuam com isso. Tanto que a Fatma de Joinville, no passado, foi contra o reuso das areias da Tupy Fundições S.A. Então, tudo agora está sendo decidido por Florianópolis. Nem os fiscais de Joinville podem entrar na empresa. Só os da Capital".


Morelli, que também é Coordenador Executivo da Alades (Agência Latinoamericano do Desenvolvimento Sustentável) diz que a Tupy nunca abriu as portas para que se pudesse conferir o destino das areias fenólicas. "Eles dizem, inclusive, que o aterro deles está desativado, como determinou uma ação do Ministério Público Federal. Mas, continuamos a receber denúncias de empregados da própria empresa que eles ainda depositam areias residuais e as misturam com a fenólica, que é cancerígena. Tudo isso está se transformando em calçadas e pode ir também para a agricultura, como fertilizante, para a produção de alimentos".

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