22 de junho de 2012

UNIDADE DE CONSERVAÇÃO DE FAUNA




O programa que apresentamos em video e que tambem está disponível no Youtube-ecologia em ação - unidade de conservação de fauna - faz   retrospecto do que foi a tentativa do IBAMA e do Instituto Chico Mendes em presentear a região da Baia da Babitonga - o maior sistema manglar de Santa Catarina - com o projeto denominado UNIDADE DE ESTUDOS E CONSERVAÇÃO DE FAUNA.

Afinal, o que pretendia esse Projeto? 


De acordo com o resumo do projeto - pretendia-se implantar a inteligencia biológica nesta região como o maior centro de pesquisas e estudos da America do Sul, tendo como laboratório natural os manguezais, sua fauna silvestre e a biodiversidade botânica. 
Com a UCF criada, poderiam os nossos deputados federais da região, incluir no Orçamento da União, milhões de reais a fundo perdido que dariam oportunidades de estudo para  universitários da UNIVILLE e Univale.  Esses  pesquisadores de se dedicariam ao estudo  aprofundado de algo que ainda não conhecemos e não protegemos. Seriam rubricas no Orçamento da União que concederia bolsas de estudos de pós-graduação, possibilitariam a formação de centenas de pesquisadores, teríamos dinheiro para formar Mestres em Ciência do ecossistema da Babitonga. Essa possibilidade de acumulação do conhecimento e inteligência, a criação de acervos técnicos, etc. alem de servir como pesquisa básica, para que se tivesse informações para projetos mais avançados. A  fauna do ecossistema Babitonga tem inúmeras especies nas listas de animais em extinção. Outros tantos projetos e estudos seriam dedicados a aumentar a produção e rentabilidade  pesqueira;  apoio e suporte técnico da maricultura; aumento da criação de ostras, mariscos, berbigões, camarões, tainhas, meros, etc. etc. Esses estudos criariam profissionais de elite, professores fabricados em aulas praticas no ecossistema, mestres e doutores  qualificados não como livreiros,  mas como técnicos que aprenderam no "chão de fabrica" palavras de entendimento dos industriais, ou no "canteiro de obras" como conhecem os construtores ou ainda aprender fazendo tendo o mangue, a água salgada, as marés, os animais como cenários do aprendizado. 
Laboratórios seriam instalados em pontos estratégicos da baia. Estudariam as aguas, os sedimentos, a alimentação das aves de migração, a biologia do mão pelada, dos guarás, biguás, toninhas, meros, tainhas, caranguejos, siris, jacaré do papo amarelo, e tantos outros ja catalogados e que passam das 300 especies que nesta baia vivem e que por aqui passam migratoriamente a cada novo calendário anual.


Passo informações disponíveis nos jornais da época:

Convido-os a acessar as paginas abaixo para que se inteirem melhor dos acontecimentos em artigo de minha autoria publicado no Jornal CIDADE. 

http://www.jornaldacidade.tvdacidade.com.br/                       



UC – unidade de conservação de fauna

Gert Roland Fischer(*)

As garças rosa e os colhereiros são aves que freqüentam os manguezais da baia da Babitonga.
Em 2007 o Instituto Chico Mendes e o Ibama ofereceram um valioso presente para o povo dos municípios que circundam a Baia. Os empreendedores desses mesmos municípios não entenderam o significado do presente e o devolveram judicialmente em forma de liminar.
O projeto da Unidade de Conservação de Fauna foi elaborado por pesquisadores de renome nacional a partir de 2005. Ibama e Instituto Chico Mendes deram apoio e ajudaram na definição dos parâmetros. A então Ministra Marina Silva escolheu como primeira UCF a ser criada no Brasil,  o estado de Santa Catarina, por apresentar um dos melhores mangues a receber o presente. O Ibama foi programado para apresentar o projeto em 2007 em 8 audiências publicas nos municípios que compõe o bioma de preservação permanente.
Logo após a primeira audiência publica, um grupo de políticos e empreendedores se assustou com o que estavam ouvindo falar. Pelos comentários da imprensa empresarial notou-se que os “assustados” não estavam sequer interessados em conhecer os detalhes do projeto.  Com a possibilidade de aprovação da UC de Fauna os  “assustados” viram cair por terra projetos bilionários que estavam sendo tramados a sete chaves e que pretendiam particularizar grandes extensões de manguezais.
Luiz Henrique disse: temos que artir para a guerra. Como atores de “confiança” as ONGs do comercio e industria atuantes na Baia da Babitonga foram abduzidas e montaram estratégias para “envenenar” os maiores beneficiários com a UCF – os 2.000 pescadores atuantes na época. Para puxar para o lado “capital” os pescadores, minaram as associações de pescadores  colocando problemas nas cabeças desse povo humilde que acredita ainda em “políticos”. Começaram a difamar e a jogar sujo contra os funcionários e engenheiros, biólogos do Ibama e FCM, denegriram as entidades ambientalistas regionais. Diante da fraqueza de informações e argumentação técnica coerente para defender o projeto os funcionários do IBAMA fizeram um cem numero do golos contra.
Uma caravana liderada pelo Governador Luiz Henrique da Silveira, inimigo n. 1 do Ibama, por projetos emotivos paralizados no passado e que sem licenciamento e de forma intempestiva e arrogante havia autorizado, foi a Brasilia falar com Lula. Acompanhava a caravana a professorinha da Rua Graciosa – Ideli Salvati que se transformara em Senadora. Lula chamou a Ministra do Meio Ambiente Marina Silva para o gabinete da presidência. Levou um puxão de orelhas e foi lhe dito que desativasse imediatamente este espetacular presente oferecido para os catarinenses. Uma liminar assinada pelas ONGS do comercio e Industria, protocolada na Justiça parou com toda a movimentação, sonho de centenas de pesquisadores, alunos de biologia, alunos de oceanografia e engenheiros florestais e ambientais.
Não se falou mais no assunto. Os reitores da Univille e Univale pesarosos viram escapar pelos dedos milionárias verbas que poderiam engordar o orçamento da União com verbas para SC, caso a primeira Unidade de Conservação de Fauna fosse criada.   Morria o sonho de décadas. Com a não criação da Unidade de Conservação de Fauna, perderam os universitários do Sul do Brasil, perderam os professores, perderam as comunidades pesqueiras. Perdia-se a oportunidade de estudos sérios dos manguezais, sua fauna silvestre e ictiofauna. Esse grande laboratório a céu aberto de 130 km², que estudaria algumas espécies relacionadas na lista de animais em extinção - toninhas, os meros, entre outros, não se tornaria realidade. Nossos professores despencaram para a desilusão, vendo dias gloriosos para a pesquisa serem triturados por um bando de empreendedores imediatistas e desinformados, aliados a uma imprensa meia boca  e apoiados por políticos oportunistas e descompromissados com os contribuintes e com povo que os elegeu.

Udo Döhler disse para o DC no dia 09.10.2007:  “Seria um equivoco imperdoável – resumiu o presidente da ACIJ sobre o projeto do Ibama de criar uma reserva de fauna na Baia da Babitonga. Disse que o presidente Lula ficou sensibilizado com o “PROBLEMA” e que varias autoridades estão sendo acionadas para que esse projeto não seja aprovado”

(*) autor do livro MANGUES- Conseguiremos Conservá-los ? 1983

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