24 de junho de 2012

Rio+20: Mouros na costa



Rio+20: Mouros na costa

“Árdua é a missão de desenvolver e defender a Amazônia. Muito mais difícil, porém, foi a de nossos antepassados em conquistá-la e mantê-la.”
Gen.Ex. Rodrigo Otávio Jordão Ramos

Árdua a antepassados em conquistá-la e mantê-la.
Na segunda metade do século XIX a eficiência dos processos industriais havia chegado a um ponto tal que o mercado interno das nações industrializadas já não mais conseguia absorver toda sua própria produção. A hipótese de vender seus excedentes industriais a outras nações igualmente industrializadas era inviável, pois não somente elas viviam os mesmos problemas como o universo constituído por todas elas havia estabelecido barreiras comerciais tão abrangentes que inviabilizavam uma concorrência justa com os produtos importados.
Por outro lado, os lucros obtidos pelo complexo industrial financeiro eram tão exorbitantes que havia também um excedente de capital esperando por uma aplicação rentável qualquer.
A solução encontrada para esse problema foi o estabelecimento de colônias que pudessem absorver ambos os excedentes. Essas colônias dispunham de governos próprios, quer exercidos por cidadãos naturais das metrópoles quer por meio de governadores nativos títeres ou, ainda, em um sistema hibrido: o governador estrangeiro permitia que os líderes locais exercessem um poder vigiado, muito semelhante ao que Roma fazia na Palestina no tempo de Cristo.
As colônias se tornaram mercados cativos para todos os tipos de mercadorias disponíveis nos estoques das matrizes. Quanto ao capital, ele foi descarregado nelas por meio do financiamento de obras, normalmente de infraestrutura que, “por coincidência”, eram executadas quase que exclusivamente com insumos, bens e produtos comprados nas metrópoles com o próprio dinheiro dos financiamentos.
A parcela dos pagamentos por conta dos nativos era constituída pelos impostos e pela exportação de matérias primas a preços estabelecidos pelas próprias matrizes.
Embora, como dito acima, a razão primordial do colonialismo tenha sido a criação de mercados cativos para bens e capital, com o passar do tempo os estoques próprios de matéria prima das matrizes foram se esgotando e a importância relativa da exploração daqueles existentes nas colônias foi se tornando cada vez maior, a ponto de certas nações industrializadas se tornarem virtualmente dependentes desses insumos.
Após o final da segunda guerra mundial, as colônias foram se tornando “independentes”, mas as necessidades de matérias primas de suas antigas metrópoles não só continuaram a existir, como aumentaram e, com o enorme progresso tecnológico dos séculos XX e XXI, evoluíram, exigindo insumos mais raros e sofisticados.
Esse é o quadro que vivemos atualmente. A maioria absoluta das guerras que são travadas no presente tem como pano de fundo a conquista de matérias primas. É assim no Iraque, no Afeganistão, o foi na Líbia, onde mesmo antes da definição do quadro o presidente da França já estava negociando com lideranças rebeldes os contratos petrolíferos de interesse de seu país. Por trás de quase todas as guerras tribais da África estão interesses espúrios em petróleo, diamantes, coltan no Congo etc. 2
A guerra pela conquista das matérias primas alheias vem se desenrolando há bastante tempo, em várias frentes e em vários estágios. Se, nos países citados acima, por exemplo, já evoluiu para o conflito armado, em outros a pressão é exercida por um “soft power” com vários desdobramentos: meios diplomáticos, manipulação da opinião pública, ONG´s de diferentes objetivos etc.
A finalidade última de todos esses esforços é garantir o fluxo de insumos para seus países pelo maior período de tempo possível. Para isso, é fundamental que os cobiçosos evitem a todo custo o desenvolvimento dos países detentores desses materiais, pois isso levaria a que eles utilizassem essas reservas em benefício próprio. É necessário também evitar que eles os vendam a terceiros indesejáveis. Finalmente, em caso de riscos de que os recursos sejam apoderados militarmente por outras potências, intervir primeiro ou pactuar previamente a partilha do butim com os eventuais agressores.
Enquanto os riscos citados no parágrafo anterior permanecerem latentes, é importante assegurar que os recursos “durmam em paz”, protegidos por reservas que podem ser ambientais ou humanas. Quando a necessidade chegar, eles serão tomados, com o emprego dos meios que forem necessários, devidamente justificados por argumentos adrede semeados no imaginário público.
Para isso, a opinião pública foi, e está sendo manipulada, tanto nos países de origem quanto nos países alvo, por personalidades públicas de impacto, como atores e diretores de cinema e televisão,intelectuais, atletas famosos etc. ONG´s são fundadas e mantidas a peso de ouro, com recursos materiais de toda a ordem, tais como embarcações, aviões, radares e até satélites, com a finalidade de atuar proativamente na propaganda de interesse daqueles países.
Abaixo estão listadas algumas premissas semeadas por esses grupos de pressão:
1. Os países ditos “em desenvolvimento” devem abrir mão de seus objetivos de progresso, pois a Terra não tem condições de prover para todos os povos o padrão de vida que já alcançaram os países desenvolvidos.
2. Uma das causas do aquecimento global é o desenvolvimento não sustentável, principalmente na produção de alimentos e na geração de energia. Os países emergentes devem restringir as áreas agriculturáveis e optar por processos que assegurem a produção “limpa” de energia.
3. As espécies animais e vegetais devem ter precedência a todo custo, ainda que isso implique na diminuição da capacidade de produzir insumos minerais e energéticos que proporcionem desenvolvimento, e até mesmo na diminuição do cultivo de alimentos.
4. Grandes extensões de terras das nações emergentes devem ser mantidas fora do uso econômico e devem ser destinadas à formação de reservas, ambientais ou para abrigar certos grupos da população, como índios, quilombolas etc. Esses grupos devem desfrutar até mesmo do direito de autodeterminação sobre o destino dessas áreas.

O Brasil é um país privilegiado no quesito recursos naturais. A natureza foi pródiga conosco, depositando em nosso território imensas riquezas, tanto acima quanto abaixo do solo. Nossos antepassados foram heroicos, expandindo as fronteiras da Pátria e legando-nos esse imenso território. Por isso mesmo somos um dos alvos mais prioritários da ação desses predadores.
A conferência Rio+20 é um cavalo de Troia. Ela chega precedida de manifestações, abaixo assinados e outros ruídos espúrios e tenderá a ser um formidável instrumento de 3
pressão sobre o governo brasileiro no sentido de estabelecer o statu-quo acima descrito. Atitudes anteriores do governo mostraram tanta incompetência e má fé na defesa de nossos interesses que todos os piores receios se justificam. A fração mais esclarecida do povo brasileiro tem a obrigação de estar atenta para a defesa de nosso futuro.
A conquista dos territórios coloniais na África pelas potências estrangeiras obedecia a um procedimento padrão: tratava-se de embebedar e cumular de penduricalhos os sobas locais que, ignorantes e ávidos por álcool e presentes, assinavam (com um x) contratos que pouco a pouco desaguavam no domínio e na exploração completa de seus domínios.
Tivemos recentemente no Brasil um soba, apedeuta, alcoólatra e tão chegado a mimos que quando deixou a maloca real foram necessários mais de uma dezena de caminhões para transportar os presentes recebidos durante seu reinado. Não é de se estranhar que essa figura tenha criado a reserva contínua da Raposa Serra do Sol, tenha permitido que seus diplomatas aceitassem a declaração de autodeterminação dos povos indígenas e perpetrado inúmeros malfeitos mais, tudo exatamente dentro do esquema descrito acima.
O (des)governo que o sucedeu tem as mesmas características. Seu verdadeiro objetivo é a perpetuação no poder e, para isso, os fins justificam os meios. O comunismo é uma ideologia internacionalista. Pátria é um conceito burguês e ultrapassado e sua integridade é para eles apenas uma mercadoria a mais, que pode ser negociada sem remorsos, desde que isso assegure a perenidade do Primeiro Reich Tupiniquim.
Por isso tudo, a Rio+20 constitui um perigo enorme para nossa soberania e integridade. Prontidão rigorosa! Todo o cuidado é pouco. Há mouros na costa.

José Gobbo Ferreira

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