9 de junho de 2012

Projeto de "Reurbanização" dos Mangues - enganação coletiva

O jornal gaúcho da RBS - A NOTICIA de Joinville, na coluna do Jefferson Saavedra em 09.06.12 colocou a nota que esta a sua esquerda.
Tentarão - pela segunda vez - as "autoridades" municipais e lideranças politicas de extrema direita,  apresentar  o equivocado projeto de "REURBANIZAÇÃO dos MANGUEZAIS da Baia da Babitonga. Basta folear os jornais da época para ter claramente identificado, a enganação que estava sendo arquitetada para enganar um povo que necessitava de qualidade de vida e de alimentos baratos que eram tirados da Baia da Babitonga, numa fartura que começou a escassear a partir de meados da década de setenta do seculo XX. Alcaides com Wittich Freitag e Luiz Gomes, se notabilizaram pela "maquiagem ecologica" que davam ao tal de "projeto de reurbanização dos manguezais dizendo e repetindo centenas de vezes de que esse FANTASTICO PROJETO passaria a  preservar os manguezais. Contrataram dragas gigantes que construiram canais, lançaram durante meses aterro hidraulico sobre extensas areas de preservação no vale do Rio Cachoeira no Bairro do Boa Vista, bairro Fátima, Vila Paranaense, entre outros, totalizando o afogamento mais de 600 hectares - santuários da vida.

Depois de terem por anos planejado na Prefeitura de Joinville as "frentes de invasão", com os topografos do municipalidade, demarcando os lotes ainda com toda a vegetação e sob efeito das mares diarias, onde foram colocados piquetes de madeira pintados de branco com mais de metro e meio de altura, mapeadas essas areas "criminosamente" loteadas pelo poder publico municipal,  foi a vez dos politicos se fastiarem com "doações" de areas do Patrimonio da União,  para os eleitores, com a promessa de que essas areas invadidas, seriam - quando eleitos, todas legalizadas. Só numa campanha eleitoral foram distribuidos 10.000 lotes. Nessa corrida eleitoral o campeão de votos foi o Eng. Sanitarista gaucho de Erechim, Marco Tebaldi.



A propaganda enganosa  custeada pelo parque industrial de Joinville foi veiculada em radios e jornais principalmente no Norte do Paraná, celeiro de boias frias rurais. No mandato de Luiz Gomes, oferecia-se casas de graças que se tornaram conhecidas no Brasil como CHALULAS construidas terrenos sem custos - manguezais. Os "pés roxos" vieram  em grandes levas em ônubis fretados pelo setor da fundição para trabalharem nos altos fornos, fundição, desmoldagem, ambientes que nessa época ofereciam os mais altos riscos para a saude desses coitados. A insalubridade chegava aos extremos.  Foram esses atores "convidados" e atraidos pelas terras gratuitas e chalulas tambem gratuitas aconselhados a invadir terras da União. Recebiam treinamento para enfrentar o maruim, a alta insalubridade, as doenças, o frio, agua entrando nos barracos e assim foram dilapidando de forma brutal a morada dos caranguejos, dos bacucús, das ostras, dos camarões, dos bagres, dos baiacus, das garças, dos biguás, colhereiros, etc.


Foi assim que muitos joinvilenses como eu, assistiram impavidos e impotentes a sagacidade da tomada das terras humidas berçario da Natureza indefesa. Essa ira contra os MANGUEZAIS, essa volupia do lucro fácil e imediato pela usurpação das areas de marinha, das areas de preservação permanente, utilizando recursos publicos super abundantes e a fundo perdido oferecido pel BND (naquele tempo não tinha o "s" de social).
Tudo sendo transferido criminosamente  para o privado, para o loteador, para o investidor imobiliario, e de lambuja para uma farta e descarada  comprade votos. Essa apropriação indevida de terras da União, correspondeu ao maior saque ja praticado contra o povo do nordeste de SC.

Estive com o presidente então da APREMA-SC, o advogado ambientalista Carlos Adauto Virmond Vieira no Rio de Janeiro, aterro do Flamento e no Hotel Gloria sede da ECO-92, participando como ambientalista de diferentes paineis sobre ecologia e projetos de conservação e recuperação do ambiente destruído. Nos dias que nos dispuzemos a buscar o paradeiro do PROJETO DE "REURBANIZAÇÃO DOS MANGUES DE JOINVILLE credito que foi oferecido ao Eng. Sanitarista, nada nos foi informado e aonde realmente tinha sido apresentado. Simplesmente não constava dos anais da ECO-92. Tão somente a imprensa colonial de Joinville dava o   alarido correspondente tudo em alto e bom som, a pedido de seus mentores politicos.
Lembro-me até, que o Rotary Club de Joinville, havia endossado tal projeto de "reurbanização". Esse apoio a entidade provavelmente não conseguiu digerir e entender. Se o entendeu, certamente achou que se tratava de recuperação dos manguezais invadidos e fez confusão entre REURBANIZAÇÃO COM RECUPERAÇÃO DOS MANGUES INVADIDOS.  A midia financiada da época, programadamente desvirtuou os conceitos desse projeto, como se fosse um projeto ecologico.

Saavedra na nota de Jornal, nos informa que esse mesmo projeto vai depois de 20 anos fazer uma nova tentativa, para mostrar que os aterros hidraulicos custeados pelos contribuintes matando mais de 6.000.000 de metros quadrados de manguezais virgens e vivos, que os aterros feitos com a argila retirada de outras areras de Preservação Permanente - Morro do Boa Vista e morro do Iririu, e lançados sobre a vegetação de manguezal cortada com moto-serras, foi uma atitude ecologista, uma atitude amiga da natureza.

Será que o eleitor e o povo depois de tantos anos de enganações, mentiras, corrupção, malversação de dinheiros publicos, mensalão, cachoeira, delubios, etc. ainda acredita em PAPAI NOEL, Coelhinho da Pascoa e politicos que ja militavam há 20 anos passados ?

Mangues de Joinville que foram programadamente invadidos. Anotem que os arruamentos, distribuição de lotes, tudo foi previamente instalado pelos topografos da Prefeitura Municipal de Joinville na decada de 80 do seculo passado.
Notem que aos poucos o barro e o aterro hidraulico vai tomando conta do solo cinza do manguezal para matar de vez qualquer possibilidade de recuperação das areas invadidas.




As areas cinzas, denunciam a aplicação de herbicidas sobre a vegetação de manguezal. Com a morte das avicenias, siriubas, mangues, espartina, era retirada a lenha e com esse cenario, as "autoridades" e futuros proprietarios, alegaram que o ecossistema estava morto e desta forma poderia ser aterrado. 
Foi aterrado sem a autorização do IBAMA, da agencia estadual de meio ambiente - FATMA, o ministerio publico estadual em Joinville foi requerido pela APREMA-SC para instaurar inquerito civil publico sobre os escandalosos e gigantescos movimentos predatorios sobre o ecossistema protegido. 
Nada prosperou.
O branco é a areia - aterro hidraulico que foi transportado por mangotes impulsionados por possantes moto-bombas. A vida que era de todos foi particularizada para poucos. Um lote que fora na decada de 90 doado para os laranjas e  "pés roxos" é vendido hoje, 2012- não por menos de R$ 100.000,00. Bilhões de reais foram desta forma apropriados por poderosas forças que tiveram todo apoio de politicos, empreendedores e até pelo MINISTERIO PUBLICO que se tornou impotente diante das pressões que sofreu pelos "donos" e "imperadores" do município.
Add caption

o que aparece como esbranquiçado, foi manguezal. Uma verdadeira guerra foi deflagrada sobre o verde dos manguezais. 

Pretende-se apresentar- outra vez - esse projeto de destruição  na RIO + 20 como um PROJETO ECOLOGICO ?

Estarei apresentando mais imagens, imagens estarrecedoras,  inclusive dos personagens que tiveram a ousadia e a arrogancia de incentivar, investir e  promover esse gigantesco desastre. 

O dinheiro publico usado para destruir essas extensas areas de preservação permanente, nos falta hoje em Joinville. Não temos hospitais, não temos macas, a merenda escolar é roubada e corrompida, não ha segurança a altura do tamanho da cidade, numa fobia cronica de políticos que visitam Caimã constantemente, querem implantar gigantescos empreendimentos quando a cidade que temos atualmente não comporta sequer a ampliação da GM e da Tupy. 




Autor: 
Eng. Gert Roland Fischer - ex presidente da APREMA-SC - auditor ambiental acreditado, registrado no CREA-SC n. 001288-4, Premio Global 500 - UNEP - 1989, Premio Von Martius 2001 - Camara de comercio e industria Brasil Alemha, Premio Amigo da Amazonia 2004. 
Produtor e apresentador do programa Ecologia em Ação. 
gfischer.joi@terra.com.br 
www.ecologiaemacao.com 


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Ocorreu um erro neste gadget