18 de junho de 2012

O Profissional da Química



O ENG. QUIMICO ROLF EUGENIO FISCHER, PELA PASSAGEM DO DIA DO QUIMICO, ENTREVISTADO ASSIM SE POSICIONOU:
Eng. Quimico Rolf Eugenio Fischer 
Prof. Aposentado Catedratico de Quimica da UFPr.

Repórter -O que o Professor acha da contribuição do profissional da química para o bem da sociedade?
Fischer – Acho que está sendo muito significativa. A sociedade tem se beneficiado e muito das contribuições destes profissionais, com resultados no avanço do bem estar das pessoas. Veja por exemplo no campo dos fármacos, onde é grande a participação dos profissionais da química, principalmente quanto à formulação de novos remédios, fruto da pesquisa intensiva ocorrida nestes últimos anos. Novos remédios têm sido lançados no mercado com eficiência de cura e outros minimizadores da dor, causada pelas doenças. Isso tudo vem dando esperanças ás pessoas para um viver melhor, gerando um aumento na vida media da população. Não só na farmacologia como citei, mas em tantos outros campos onde o químico está presente, como na energia dos combustíveis, agricultura-alimentação, saneamento, petroquímica, etc., e incrível, até na eletrônica dos chips.
Repórter – E, quais são esses mecanismos utilizados pelos profissionais da química para atingir cada vez mais a eficiência e a eficácia nesses campos que foram citados?
Fischer – Embora não seja privilégio somente dos profissionais da química, mas de todos os demais profissionais de outras áreas, tanto de nível superior como técnico, é o desenvolvimento dos saberes na aplicação e na criação de novas técnicas de aprimoramento aplicáveis em processos nas linhas de produção, como também nas áreas de gerenciamento.
RepórterO Professor poderia citar quais seriam estas técnicas de aprimoramento?
Fischer – Eu diria que estas técnicas estão fundamentadas cada vez mais nos programas da qualidade. Desde o fim da II guerra, iniciado por Deming no Japão se vêm implementando programas de qualidade nas empresas em todo o mundo. Esses processos chamados genericamente de “melhoria contínua” evoluíram desde os Círculos de Controle de Qualidade - CCQ, passando pelos processos de Qualidade Total – QT, Gerenciamento da Qualidade Total - TQM, Reengenharia e ultimamente nas técnicas chamadas de Gerenciamento de Projetos - MP. Assim, a empresa que não tenha implementado hoje um programa de qualidade sente dificuldade, cada vez maior, em se manter no mercado tão competitivo.
RepórterO Senhor se referiu a aplicações de várias filosofias da qualidade em processos produtivos e quanto à qualidade das pessoas, dos profissionais? Professor Fischer.
Fischer - É ai que eu sempre questiono. Essa é a minha batalha quando implemento programas da qualidade como consultor. Os empresários priorizam a qualidade na matéria-prima, no processo, no produto final, na pós-venda, em toda a cadeia produtiva, deixando sempre de lado o Recurso Humano em segundo plano. Esse foi o grande erro do Programa de Reengenharia no passado, que faliu, deixou de ser aplicado, pois não incluía o recurso humano. Com o advento da filosofia do Gerenciamento de Projetos, tudo foi englobado, desde processo – mercado – recurso humano. Eu, particularmente, acho, depois de anos de experiência em qualidade, que tudo deveria ter iniciado no investimento na qualidade dos profissionais, das pessoas, do ser humano, do cidadão. Deveria vir primeiro a formação das pessoas, tornando-as "de qualidade" e é aí onde se encontra a chave do sucesso nos empreendimentos e não só na tecnologia como até então vem acontecendo.
Repórter - Mas para o Professor o que vem a ser um profissional de qualidade?
Fischer - Na verdade, eu não tenho uma definição pronta, talvez ela nem exista. Eu tenho uma idéia baseada na minha observação de anos de experiência como engenheiro e como ser humano. Eu diria que para ser um “profissional de qualidade” há necessidade de termos antes o que eu chamo de “ser um cidadão de qualidade”. Esta é uma pessoa que exercita o respeito. Uma pessoa que respeita outras pessoas, respeita o bem público, o bem privado, respeita o meio ambiente global, as leis da sociedade, respeita a família, é, portanto, um cidadão de qualidade. Este cidadão foi educado para discernir o que é certo e o que é errado. Um cidadão de qualidade é aquele que tem a consciência destes valores, uma consciência não só pontual, mas principalmente sistêmica. O cidadão faz certo por que quer, ele carrega essa consciência e a aplica constantemente em suas decisões, em todo o âmbito de sua vida. Vou mais longe, eu diria que um cidadão nestas condições de educação poderia ser chamado de “cidadão de qualidade auto-regulamentado”.
RepórterMas professor, o senhor acha possível atingir este grau de qualidade nos cidadãos na nossa caótica sociedade brasileira.?
Fischer – Acredito sim, pois já existem vários exemplos no mundo civilizado. Vamos citar a Alemanha onde lá vivi algum tempo. Quando a Alemanha atingiu um contingente razoável de cidadãos de qualidade auto-regulamentados, sua sociedade começou a se tornar cada vez mais civilizada e justa. Uma sociedade respeitosa. Hoje a Alemanha é uma sociedade social democrática auto-regulamentada. E por ser altamente auto-regulamentada ela é considerada a mais socializada da Europa. A mais justa. Este grau de maturidade que o povo alemão atingiu gera atitudes incompreensíveis a nós brasileiros. Por exemplo: nos sistemas de transporte coletivo em todo o País, ou seja, trens, metrôs, bondes elétricos, ônibus urbanos, não existe roletas nem cobradores. E nem por isso o usuário deixa de pagar o bilhete. Não ultrapassam o sinal, não avançam a faixa de pedestres, obedecem ás leis de trânsito, pois antes de tudo, os motoristas são cidadãos que se orgulham de pertencer a uma sociedade auto-regulamentada, organizada. O lixo é outro exemplo. Que maravilha, tudo em seu lugar, cada rejeito em seu destino próprio. Mais um exemplo curioso: os alunos universitários levam suas provas de avaliação e resolvem em casa, tudo regido por códigos de ética auto-instituidos. As leis do país são orgulhosamente obedecidas. Tudo isso orquestrado por uma consciência do certo, do fazer certo.
RepórterE o que a sociedade pode ganhar tornando-se auto-regulamentada?
Fischer – A gente nem imagina o quanto! Vou citar somente alguns tópicos para não me alongar mais: menos corrupção; menos acidentes urbanos e nas estradas; diminui o tamanho da máquina governamental; diminui o custo público; diminui a sonegação; mais decoro; mais justiça social; o PIB aumenta; menos conflitos entre as pessoas, reduzindo o número de processos nos tribunais; menor custo social; melhora o padrão e qualidade de vida. Todos ganham: sociedade - governo - meio ambiente.

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