22 de abril de 2012

O QUE VC NÃO SABIA DA MORTE DE TANCREDO


----- Original Message -----
Sent: Friday, April 20, 2012 3:28 PM
Subject: Re: acultura disseminada pelos sociopalobistas para queimar os bem intencionados + única coisa que resta fazer diferente da ÉPOCA da DITADURA

Tancredo Neves foi mais uma peça de xadrez comida pelo contendor hegemônico.
Lembre que as Diretas Já, o maior movimento de massas que já houve no Brasil, foi simplesmente enterrada (manifestação de rua não resolve coisa alguma) sob o pretexto de que as Diretas elegeriam Paulo Maluf.
Então Ulisses foi contatado e pulou fora e cedeu o passo para a dupla Tancredo/Sarney. Tancredo, uma das tradicionais raposas mineiras, centro do centro, e Sarney, da oligarquia maranhense, em processo de ascensão social e política. Era da Arena, pulou para o PMDB quando os gringos resolveram que os militares eram nacionalistas demais (é possível ser-se nacionalista tanto na direita como na esquerda) e mais lhes servia um civil ecumênico de boa fala.
Tancredo tinha o inconveniente de ser um remanescente das velhas raposas getulistas, e também mineiro. Não era fácil de enrolar. Sarney, porém, como vice, ao invés de Ulisses, era a pessoa perfeita para o papel.
Inventaram um exame (provavelmente uma colonoscopia) para o Tancredo, exame que exige anestesia, e abrem sua barriga sem antes lhe fazer uma lavagem intestinal, ou afastar estranhos, com roupas de rua e sapatos, no recinto de uma cirurgia que o paciente não sabia que ia sofrer.
Assassinato médico para não botar defeito. Depois, foi só esperar a septicemia inevitável nas condições de múltipla infecção hospitalar de que o infeliz foi vítima por falta intencional de assepsia. E ainda conservaram o homem morto por alguns dias para dar satisfação ao povo na rua, que o encarava como símbolo da redemocratização.
Uma pessoa ideal para conservar o suspense dramático: Antônio Britto, fiel escudeiro da família Sirotsky, e que depois seria guindado ao Ministério da Previdência Social, onde acabaria com o INAMPS, e seria levado ao governo do RS, onde privatizaria tudo o que pudesse em favor de seus verdadeiros patrões - a RBS.
Bom, Tancredo morreu, e Sarney assumiu ilegalmente, pois não havia sido empossado nem diplomado - Tancredo morreu antes da posse, de tão ansiosos estavam os meninos. Ninguém denunciou a trampa e a ilegalidade dessa posse, nem mesmo o Senhor Diretas, quando o normal e regimental seria convocar novas eleições.
Sarney então acaba com todos os órgãos públicos que eram perfeitamente viáveis e úteis, se saneados de seus malandros e corruptos tradicionais: BNH, SUDENE, SUDAM, DNOCS, DNOS, etc. deixando-nos sem qualquer instrumento de desenvolvimento regional e sem política habitacional para todo o País.
Cumpriu com seu dever de casa, abrindo o espaço irrestritamente para o avanço do privatismo e do neoliberalismo. O fatiamento da Petrobrás, que estava previsto desde os tempos do Médici, mas o Geisel tinha detido, foi efetivado mais adiante, com o FHC, o mesmo que vendeu a frota naval da Vale do Rio Doce por valores negativos (menos cinco mil dólares), já que seu filhinho era o intermediário. SIVAM, etc., também foram outras tantas proezas.
O resto já sabemos. Essa conversa de se Tancredo faria ou não faria, é conversa para boi dormir. Presidentes não têm o poder nem a atribuição de fazer ou não fazer. Eles devem estar afinados com os setores sociais que representam e atender à plataforma que os elegeu.
A cultura brasileira está tão viciada com a monarquia, que tratam qualquer presidente como se fosse um Luiz XIV. O próprio presidente norteamericano só faz o que desejam Wall Street, as grandes corporações econômicas e as grandes corporações militares. Não tem vontade própria nem pode ter - pois os governos não passam de gerentes a serviço dos setores hegemônicos da sociedade.
Como a sociedade civil não tem poder real, apenas teórico, só pode protestar, o que não nada custa ao outro lado, só o ajuda a manter uma imagem democratizante.
E o Tancredo certamente foi escolhido para ser sacrificado. Já era velho e representava uma oligarquia mineira ultrapassada - era o mais descartável de todos os possíveis candidatos.
Mas o pessoal, certamente, não dormia em serviço: poucos anos depois, também Ulisses desapareceu misteriosamente. Acharam-se os corpos de sua mulher, do Severo Gomes e sua mulher, e do piloto, e dele, nem uma unha ou um pé de sapato. Dá para acreditar?
Não sei quem apelidou a alma brasileira de ser amável e pacífica... Alguma agência publicitária? A história mostra o contrário.
É chover no molhado dizer que o Brasil não tem memória.
Essa amnésia é intencional, e obedece a interesses político-econômicos e agora, geopolíticos, bem definidos.
É impossível avaliar conjunturas e estruturas, traçar metas e estratégias, sem memória. Estaremos sempre recomeçando do zero e sem parâmetros.
Falta de memória é também deficiência mental.
A nossa é cultivada pelos poderosos.
É muito triste conversar com alguns universitários e perceber um paradoxal acúmulo de não-conhecimento e de esquecimento.
E não adianta chamar-lhes a atenção sobre essa circunstância. Eles não acreditam. Acreditam que Gatorade dá força, energia e virilidade, mas não acreditam nos fatos, porque não os conhecem, e também não acreditam em pesquisar documentos e livros com mais de 10 anos de edição.
Enfim, o Jornal da Globo os satisfaz plenamente.
Tania Jamardo Faillace

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