29 de novembro de 2011

País vai estimular uso da energia fora do horário de pico


País vai estimular uso da energia fora do horário de pico

AGNALDO BRITO
DE SÃO PAULO

O velho relógio de luz, ancorado nos postes de fronte as nossas casas, está com os dias contados e pode começar a sair de cena em 2012. Vem aí o medidor digital e com ele uma pequena revolução em como se usa a energia elétrica no país.
A mudança adiante não é um negócio trivial. Somente o plano nacional de substituição dos 65 milhões de medidores instalados no país, cujo padrão ainda não foi definido pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), vai criar um negócio de pelo menos R$ 13 bilhões.



A novidade: o medidor deixará de ser somente um relógio. Será convertido numa pequena central com comunicação entre a moradia e a distribuidora de energia.
Essa mudança será capaz de transformar a malha de cabos de energia numa rede inteligente (o chamado smart grid), com serviços que atualmente não são oferecidos.
Entre as novidades que podem surgir estão a "energia pré-paga", o desligamento e o religamento remotos e a informação instantânea sobre falta de luz --atualmente, a distribuidora só aciona os técnicos quando é informada pelo consumidor). Há grande expectativa também com a opção de adotar tarifas diferenciadas ao longo do dia.
O plano do governo é instituir essa modalidade de tarifa contando com uma possível mudança de comportamento do brasileiro.



MUDANÇA DE HÁBITO
A concentração do consumo de energia entre as 17h e as 21h --principalmente o uso do chuveiro elétrico nesse período do dia-- custa uma fortuna para o país, tanto em planejamento como em expansão de usinas.
Transformadores de rua, hidrelétricas e termelétricas ficam ociosos ao longo do dia, mas trabalham a plena carga em cerca de três horas do dia, no horário de pico.
É nesse momento que muitas termelétricas (mais caras e poluidoras que as movimentadas por outras fontes) são ligadas, principalmente no inverno, época do ano em que chove menos, e o nível de água nos reservatórios de hidrelétricas está mais baixo.
Essa operação dispendiosa e cada vez mais comum --pois a folga das hidrelétricas para atender o pico de consumo vem caindo-- exige muito do país.
A nova modalidade de tarifa pode, no médio e no longo prazo, minimizar esse problema, se se tornar uma opção para os consumidores.
Com os novos medidores digitais, será possível optar pela Tarifa Branca --opção à cobrança convencional. A adesão não será obrigatória.




TRÊS TARIFAS
Com ela, o consumidor terá três tarifas diferentes num dia. Pagará metade do valor da tarifa convencional quando gastar energia fora do horário de pico [veja infográfico ao lado], mas pagará 150% da tarifa convencional nos chamados horários intermediários (nas horas que antecedem e que precedem o horário de pico).
Há ainda a tarifa no período de alta demanda. Nesse intervalo de três horas, das 18h às 20h, (período que pode mudar conforme a região do país), o preço da energia será 250% do preço da tarifa convencional.
A ideia é dar uma opção tarifária para os consumidores, levando a usar energia fora do pico.

TARIFA BRANCA
A nova tarifa (chamada de Tarifa Branca) só estará em vigor após a revisão tarifária da distribuidora de sua região.
As 63 distribuidoras do país passarão pelo revisão entre 2012 a 2014.
A oferta dessa tarifa para o consumidor também dependerá ainda da disponibilidade do medidor digital, que substituirá o atual relógio eletromecânico. Ele é que fará a leitura do consumo e o horário em que ocorreu, bem como serviços como a energia pré-paga.
A Aneel quer que a substituição dos relógios ocorra sem custo para o consumidor. A Agência acha que os ganhos de eficiência com os novos medidores vai gerar economia suficiente para a distribuidora bancar o custo da troca.





24 de novembro de 2011

Entrevista com Pré Candidato - Ecologia em Ação - 26/11/2011

Tema: Sondagens sobre Joinville com o pré-candidato 
Convidado: Ivandro de Souza - Pré Candidato - PSDB


TV da Cidade

15 de novembro de 2011

Os banqueiros não desistem


Os banqueiros não desistem

Para que se incluam na sociedade humana os marginalizados de hoje, é preciso dela excluir os verdadeiros marginais: os grandes banqueiros privados e seus poderosos clientes. Não é o que está acontecendo na Europa, onde os banqueiros estão assumindo o poder em lugar de líderes fracos e acovardados.

A Europa entrou em um vácuo político, e os banqueiros estão assumindo o poder em lugar dos líderes fracos e acovardados, que, desprovidos de inteligência e legitimidade, não souberam conduzir o processo. Tanto na Itália, quanto na Grécia - em nome da racionalidade técnica, que bem conhecemos aqui - são notórios serviçais do sistema financeiro internacional os escolhidos, para intervir nos governos nacionais, pelo Goldman Sachs, mediante o Banco Central Europeu.

Sua missão é simples: pagar aos bancos credores a dívida dos dois países. Para reunir os recursos necessários, a receita é velha, e nós também a conhecemos, quando economistas medíocres do FMI nos visitavam e cortavam, nos orçamentos nacionais, os investimentos sociais, a fim de que sobrassem recursos para a rolagem da dívida externa.

Os novos chefes de governo, tanto na Itália, quanto na Grécia, são interventores dos grandes credores internacionais que, à revelia dos governos europeus, criaram um comitê paralelo para cuidar do assunto. Os políticos foram simplesmente descartados, e, em seu lugar, participam do comitê os dirigentes dos bancos centrais, sob a chefia formal do Banco Central Europeu, mas sob o comando real do Goldman Sachs.

O Goldman Sachs, fundado em 1869, no momento em que começavam a surgir as grandes empresas petrolíferas norte-americanas, pelo banqueiro Marcus Goldman, é hoje o maior banco de investimentos no mundo. Cuida dos ativos financeiros dos grandes estados, das mais poderosas empresas e das famílias mais ricas do planeta.

Mário Monti – a menos que Berlusconi ainda surpreenda mais uma vez – assumirá o governo italiano. É velho empregado do Goldman Sachs, e seu principal conselheiro para assuntos europeus. Um eurocrata, que, entre outras missões, cuidou dos assuntos de concorrência na União Européia e propôs o esquartejamento de todas as grandes empresas estatais e a privatização dos retalhos. Lukas Papademos, o novo premiê grego, foi presidente do Banco Central grego, de 1994 a 2002, e vice-presidente do Banco Central Europeu, de 2002 a 2010.

Mais importante do que essas ligações, ambos são membros históricos da famosa Comissão Trilateral, fundada em 1973, por iniciativa do banqueiro David Rockefeller, constituída de personalidades do mundo financeiro e acadêmico dos países da Europa Ocidental, da América do Norte (isto é, dos Estados Unidos e do Canadá) e do Japão, a fim de submeter o mundo aos seus interesses. Foram a Comissão Trilateral e o Clube de Bilderbeg que, antes que Margareth Thatcher e Reagan assumissem o poder, delinearam o projeto do cerco ao sistema socialista; o fim do estado de bem-estar social no mundo; a ditadura do mercado, mediante o neoliberalismo e a globalização, sob o comando dos grandes bancos.

Além disso, ambos são igualmente membros do Grupo de Bilderberg, que, desde 1954, se reúne anualmente, a fim de combinar sua ação estratégica a fim de “governar” o mundo, conforme coincidem todas as informações. O grupo, do qual são membros ativos, desde então, os sucessivos presidentes do Goldman Sachs, conta com a participação de norte-americanos como Paul Wolfowitz, Donald Rumsfeld, Bill Gates, Bill Clinton e Condoleeza Rice, entre outros. Todos os encontros e decisões são rigorosamente secretos.

Enquanto os estados nacionais não exercerem diretamente o controle de suas finanças, e de suas relações econômicas internacionais, as crises, a desigualdade, as guerras, o desemprego, a miséria e a rapina dos países débeis continuarão assolando a humanidade. Para que se incluam na sociedade humana os marginalizados de hoje, é preciso dela excluir os verdadeiros marginais: os grandes banqueiros privados e seus poderosos clientes.

(*)Mauro Santayana é colunista político do Jornal do Brasil, diário de que foi correspondente na Europa (1968 a 1973). Foi redator-secretário da Ultima Hora (1959), e trabalhou nos principais jornais brasileiros, entre eles, a Folha de S. Paulo (1976-82), de que foi colunista político e correspondente na Península Ibérica e na África do Norte.


Fonte: http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5302

11 de novembro de 2011

PMA esclarece 11 mitos sobre a fome no mundo

Haitianos recebem auxílio alimentar da ONU em janeiro de 2010. Cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo atualmente/Foto: Sophia Paris/UN


Segundo o Programa Mundial de Alimentos (PMA) existem vários mitos sobre a fome no mundo. A agência da ONU ressalta que essas afirmações refletem um conjunto de ideias equivocadas sobre o problema, suas causas e soluções. Para mudar esses conceitos, o PMA relacionou os 11 mitos mais comuns e a realidade que eles mascaram.

Mito 1: Não há comida suficiente para alimentar a população mundial.
Realidade: Existe comida suficiente no mundo de hoje para que todos possam ter a nutrição adequada para uma vida saudável e produtiva. Entretanto, é preciso que a produção e a distribuição de alimentos seja mais eficiente, sustentável e justa. Isso significa apoiar pequenos agricultores, que são maioria nos países em desenvolvimento, e assegurar que eles tenham acesso adequado aos mercados para que possam vender seus produtos.

Mito 2: Resolver o problema da fome significa garantir que as pessoas tenham o suficiente para comer.
Realidade: Fome também envolve que tipo de alimento você come. Uma boa nutrição significa ter a combinação certa de nutrientes e calorias necessárias para um desenvolvimento saudável. Isso é muito importante, principalmente para bebês, mulheres grávidas e crianças.

Mito 3: Secas e outros desastres naturais são os culpados pela fome.
Realidade: Comunidades que constroem sistemas de irrigação e de armazenamento e estradas para conectá-las ao centros comerciais melhoram suas colheitas. E então, essas pessoas conseguem sobreviver mesmo em tempos de seca. A natureza é apenas um dos fatores que influenciam a fome. A proporção das crises alimentares que tem relação com causas humanas mais que dobraram desde 1992. Conflitos muitas vezes estão no coração das piores crises alimentares do mundo atual.

Mito 4: A fome existe quando não há comida em supermercados.
Realidade: As pessoas podem passar fome mesmo quando há muita comida ao redor. Muitas vezes, o problema é uma questão de acesso: falta de condições financeiras para comprar comida ou impossibilidade de ir até os mercados locais. Uma maneira de ajudar é por meio de transferências de dinheiro ou cupons eletrônicos, que dão às pessoas a habilidade para comprar comida.

Mito 5: Todas as pessoas que passam fome vivem na África.
Realidade: No mundo, 1 bilhão de pessoas estão famintas e mais da metade vive na Ásia e no Pacífico. A fome também é um problema relevante nos Estados Unidos, onde 50 milhões de americanos enfrentam a insegurança alimentar.

Mito 6: Muitas pessoas estão famintas no meu país para eu me preocupar com a fome em outras nações.
Realidade: Uma a cada sete pessoas no mundo não tem o que comer, o que significa que uma a cada sete não pode criar, estudar ou atingir os seus potenciais. Isso afeta a todos. A fome diminui os progressos em áreas importantes que conectam nações, como a segurança.

Mito 7: Não é fácil prever a fome e não é possível se preparar para ela.
Realidade: Existem ferramentas para monitorar e prever tendências na produção alimentar, assim como para os preços dos alimentos. Por exemplo, o Sistema Antecipado de Alerta da Fome faz uma análise dos fatores meteorológicos e econômicos e avisa onde há a possibilidade das pessoas passarem fome.

Mito 8: A fome é basicamente um problema de saúde.
Realidade: O problema afeta também a educação e a economia. Crianças com fome sofrem para ter um foco, aprender ou até mesmo, frequentar a escola. Sem educação, é muito mais difícil para eles crescerem e contribuirem para a economia nacional. Um estudo feito na Guatemala concluiu que meninos que receberam comida fortificada antes dos três anos de idade acabaram por receber salários 46% maiores quando atingiram a idade adulta.

Mito 9: As pessoas só ficam famintas durante emergências ou desastres.
Realidade: As emergências são responsáveis por apenas 8% da fome mundial. Quase um bilhão de pessoas estão famintas em todo o globo. Por isso, projetos em longo prazo, como programas de refeições escolares, são tão importantes.

Mito 10: Há outras questões globais mais urgentes que a fome.
Realidade: Quando as populações estão famintas, as economias sofrem, as pessoas entram em conflitos e os agricultores não conseguem fazer suas plantações crescerem de forma eficaz. É preciso combater a fome para que seja possível resolver questões ambientais, econômicas e de segurança.

Mito 11: Não há nada que possamos fazer para ajudar os que passam fome.
Realidade: Há muito que pode ser feito, mesmo enquanto indivíduos. Organizações como o Programa Mundial de Alimentos precisa de apoio constante e esforços para sensibilizar as comunidades locais. Você pode ajudar. Comece agora: on-line. Encontre o PMA no Facebook e no Twitter e compartilhe nossos links para que sua rede de amigos conheça mais sobre a importância da fome. E encontre outras maneiras de se envolver.

Fonte: Portal EcoD.

10 de novembro de 2011

Entrevista com Pré Candidato - Ecologia em Ação - 12/11/2011

Convidado: Rogério Novaes  - Pré candidato do PV
Tema: Sondagens sobre Joinville com o pré-candidato.

TV da Cidade

O terror feito com a "achatina fulica"

Sensacionalismo varzeano da imprensa de aluguel e das autoridades sanitárias sobre o Caramujo Africano. Gert Roland Fischer (*) 
Comento entrevista da pesquisadora Silvana Thiego do departamento de Melacologia do Instsituto Oswaldo Cruz da Fiocruz concedida para a Renata Fontoura jornalista do IOC/FIOCRUS - jornalismo@ioc.fiocruz.br da Agencia de Noticias da Fiocruz. Silvana Thiego trabalha no Departamento de Malacologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) da Fiocruz, que é centro de referência nacional em malacologia médica, atua na identificação do molusco e no estudo das doenças que ele pode transmitir ao homem. Fala dos reais riscos oferecidos pela espécie e esclarece quais cuidados que devem ser tomados pela população. 
 Silvana Thiengo mostra parte dos exemplares de caramujos que guarda em seu laboratório (Foto: Ana Limp)
Silvana Thiengo mostra parte dos exemplares de caramujos que guarda em seu laboratório (Foto: Ana Limp) .

Sivana comenta que existem duas zoonoses que podem ser transmitidas pelo caramujo africano. Uma delas é chamada de meningite eosinofílica, causada por um verme [Angiostrongylus cantonensis], que passa pelo sistema nervoso central, antes de se alojar nos pulmões. A doença so prospera se houver no ciclo moluscos e roedores. Silvana não especificou quais os moluscos e roedores que fazem parte dessa pesquisa. Entre moluscos constam centenas de caracóis nativos que também poderão ser transmissores. Os roedores são inúmeros e a pesquisa não deve ter chegado tão longe. Concluindo disse: O homem pode entrar acidentalmente neste ciclo. Todavia o mais estarrecedor de todas as informações, Silvana informou que no Brasil não há registro de nenhum caso da doença. 

Sivana também comentou sobre o angiostrongilíase abdominal, outro nematóide que pode colonizar os caramujos nativos e também o Achatina. Disse que existem alguns poucos casos já registrados no Brasil, todavia não foram de forma alguma transmitidos pelo caramujo africano. 

A pesquisadora comentou ainda que a angiostrangilíase abdominal [causada pelo parasito Angiostrongylus costaricensis] muitas vezes é assintomática, mas em alguns casos pode levar ao óbito, por perfuração intestinal e peritonite. Atentem para a importante e significativa informação conclusiva oferecida pela pesquisadora: “Em testes realizados em laboratório, Achatina fulica não se revelou um bom hospedeiro, sendo portanto considerado um hospedeiro potencial para o parasita, causador da angiostrongilíase abdominal – mas, friso, trata-se de um hospedeiro potencial.” Quanto ao risco de os caramujos africanos passarem a transmitir estas doenças a pesquisadora Silvana informou: “ No atual estado do conhecimento, podemos afirmar que o risco do caramujo africano transmitir estas duas parasitoses é muito pequeno”. Quantos aos cuidados que a população deve tomar, a pesquisadora recomenda a catação manual com as mãos protegidas com luvas ou sacos plásticos. Todos os horticultores urbanos utilizam luvas de borracha para não sujarem as um hás, mãos e cutículas, além de não causarem danos a pele proveniente de microordanismos existentes no solo. 

O caramujo africano costuma ser confundido com um molusco nativo brasileiro, o Megalobulimus sp, conhecido como caramujo-da-boca-rosada ou aruá-do-mato espécie da nossa fauna e se parece com o Achatina fulica por seu tamanho, o que é um alto risco para a preservação das espécies de caracóis brasileiros. 

Professores deverão antes de assumirem a responsabilidade por coletas de caracóis, deverão ministrar ensinamentos básicos aos alunos no sentido de evitar a predação das espécies nativas. Silvana informa que “a concha de Achatina fulica tem mais giros e é mais alongada. Já a concha do Megalobulimus sp é mais bojuda, gorda, tem menos giros e sua abertura é espessa, não cortante”. Concluo: Para tanto estardalhaço criado pela da mídia catarinense e Joinvilense, aterrorizando as famílias e as crianças que sempre brincaram com os caramujos, me vem uma grande pergunta: O que estará atrás desse sensacionalismo. 
A quem interessa essas desinformações? 


(*) Eng. agrônomo CREA-SC 001288-4, Profissional e legalmente autorizado a comentar sobre a Achatina fulica e demais caramujos brasileiros

5 de novembro de 2011

Combate ao desmatamento não será efetivo no longo prazo”

“Combate ao desmatamento não será efetivo no longo prazo”

Gustavo Faleiros 04 de Novembro de 2011



Evaristo Eduardo de Miranda: em novo artigo argumenta que só alternativas econômicas salvam a floresta do avanço do desmatamento (foto: divulgação)

Os números recentes sobre o desmatamento na Amazônia levantaram dúvidas sobre a sustentabilidade das conquistas ocorridas nos últimos anos. Depois de 5 anos em queda, o ritmo de destruição na maior floresta tropical do planeta deu sinais que voltaria a subir. Em abril, levantamento do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) revelou um salto de 43% do corte raso no Mato Grosso. O governo reagiu e nos meses mais recentes, agosto e setembro, os números voltaram a cair em relação a 2010.

Para o pesquisador da Embrapa Evaristo Eduardo de Miranda, essa trajetória incerta do desmatamento reflete acima de tudo as aspirações por desenvolvimento da população da Amazônia. Ele acaba de publicar em parceria com dois pesquisadores do Centro de Pesquisa Integrada da União Europeia um artigo que analisa o retorno repentino das derrubadas.

“Ao favorecer a industrialização da Amazônia, o PAC talvez seja uma boa e inesperada surpresa para a floresta. No longo prazo, a floresta amazônica dependerá ainda mais do que ocorrerá nas cidades do que no campo.” O paper entitulado “A Significant Five Year Drop in Deforestation Rates but Figures are on the Rise Again”, publicado na revista de ciências ambientais AMBIO, da Academia Sueca de Ciências, argumenta que “apesar dos esforços das autoridades nacionais e regionais para controlar os processos de desflorestamento, uma tendência de reversão estava marcada para acontecer ao passo que novas políticas foram implementadas (...) para acomodar as aspirações econômicas da população crescente da Amazônia.”

Entre outros dados, o artigo menciona o ritmo de desenvolvimento em torno das usinas hidrelétricas do rio Madeira, que não apenas colocou Porto Velho como uma das cidades campeãs de desmatamento, como também levou a um aumento na taxa de homicidios na região. O problema, garantem, é não haver alternativas econômicas para o grande número de pessoas que chegou a região com o início das obras.

Doutor em Ecologia e figura influente na Embrapa, Miranda, nos últimos anos, tornou-se conhecido por liderar estudos de disponibilidade de terras para a produção de alimentos, contrapondo seus dados às políticas de conservação no país. Os resultados, que mostraram a necessidade da expansão da fronteira agrícola, foram apropriados pela bancada ruralista no debate do atual Código Florestal e serviram para embasar pedidos de mudança na legislação. Para ambientalistas, Miranda tornou-se um alvo de críticas rancorosas.

Mas há quem possa se surpreender ao ler no texto a opinião dos pesquisadores de que provavelmente o aumento no desmatamento no início do ano foi causado por uma expectativa com relação à reforma do Código Florestal. O próprio Evaristo de Miranda, no entanto, é o primeiro a dizer, nesta entrevista a ((o)) eco, que esse não é a linha mestra do artigo. “ Nada em nossos estudos permitiria tal suposição ou simplismo. Falar de causas é tocar num tema que ainda conhecemos pouco”, rebate.


Abaixo leia a entrevista do pesquisador

O que motivou a parceria com o centro de pesquisas da comunidade europeia para a elaboração do artigo?

Há vários anos participo como pesquisador associado das atividades do Joint Research Centre da Europa, atuando em particular com o Institute for Environment and Sustainability. Entre outras atividades fui o segundo autor do Mapa da Vegetação da América do Sul e participei da equipe internacional da Cartografia por Satélite da Vegetação Mundial, Global Land Cover. Este artigo na AMBIO foi decorrência dessas pesquisas conjuntas e de minha experiência de 30 anos na região amazônica.

É correto concluir que o artigo aponta as discussões do Código Florestal no Congresso como uma das principais causas do aumento recente do desmatamento?

Não. Nada em nossos estudos permitiria tal suposição ou simplismo. Sequer a tendência efetiva de aumento no desmatamento foi confirmada. Falar de causas é tocar num tema que ainda conhecemos pouco. Sabemos um pouco das razões do desmatamento, das circunstâncias que o favorecem etc. Mas ainda é pouco. Infelizmente é uma prática comum – e não só no Brasil – atribuir a redução do desmatamento na Amazônia a determinados atores e o seu aumento a outros, automaticamente. Isso é uma arma política e até ideológica. E não ajuda na compreensão dos processos regionais. Se soubéssemos o que realmente favorece ou limita o desmatamento, em cada estado, em cada região ecológica, as políticas públicas seriam outras, bem mais efetivas.

Em sua opinião, a alta recente no desmatamento revela que as medidas de combate ao desmatamento implementadas nos últimos anos não são efetivas no longo prazo?

No longo prazo, de certa forma, as medidas de combate ao desmatamento de fato não serão tão efetivas. Os agricultores têm o direito de desmatar até 20% de novas áreas na Amazônia. Isso não é ilegal. Muitas obras de infraestrutura provocam desmatamentos no curto prazo, previstos em seus estudos de impacto ambiental. No longo prazo, não basta reprimir. Além de intensificar a agricultura, é necessário ampliar ainda mais as oportunidades de emprego e renda nas cidades amazônicas, o que vem ocorrendo. Isso retira o atrativo da área rural em diversos locais da Amazônia. Manaus é um exemplo disso. Ao favorecer a industrialização da Amazônia, o PAC talvez seja uma boa e inesperada surpresa para a floresta.

No longo prazo, a floresta amazônica dependerá ainda mais do que ocorrerá nas cidades do que no campo.

O artigo menciona o aumento de criminalidade e atividades ilegais no entorno de projetos de infra-estrutura na Amazônia. Em sua opinião, como evitar que estes problemas se repitam nos planos de desenvolvimento econômico para a região?

Esse assunto é complexo. A criminalidade, associada ao consumo de drogas, à impunidade e ao desrespeito à vida e aos bens alheios, é uma questão nacional. Após operações midiáticas e policiais de combate ao desmatamento, com o desmonte de serrarias e de atividades ligadas à madeira, pode-se gerar um terreno fértil para atividades ainda mais ilegais. Porque a estas ações midiáticas não se seguem as necessárias medidas de incentivo às atividades legais. Nada tem sido colocado como alternativa econômica para a população atingida. Em Tailândia, a 250 km de Belém no Pará, foram fornecidas cestas básicas por um tempo para parte dos desempregados. E depois... prostituição, roubos, banditismo e uma marginalização ainda mais absoluta dos pobres. “Quem nos salva de nossos salvadores?”, disse alguém naquela situação. A região demanda estratégias de desenvolvimento sustentável viáveis e não apenas cenários de tragédia grega onde os inocentes pagam.

JOÃO GUILHERME WEGNER DA CUNHA GEÓLOGO

55 48 9911-1887 / 55 48 3364-1887

CONHECIMENTO É A CAPACIDADE DE TRANSFORMAR INFORMAÇÃO EM ESTRATÉGIA.

3 de novembro de 2011

A Amazônia está em seu limite.

A Amazônia está em seu limite. O alerta foi feito pelo biólogo Thomas Lovejoy, professor da George Mason University, de Virgínia, Estados Unidos. Segundo ele, a floresta “está muito próxima de um ponto de não retorno para sua sobrevivência, devido a uma combinação de fatores que incluem aquecimento global, desflorestamento e queimadas que minam o sistema hidrogeológico”. 
De acordo com o pesquisador, restam apenas cinco anos para se inverter as tendências em tempo de se evitar consequências climáticas globais graves, como a desertificação de algumas regiões. 
Os vilões são os métodos empregados em larga escala pelo setor extrativista predatório (madeireiros) e pela agricultura extensiva (pecuária) para ocupar áreas na Amazônia: motosserra, correntão e fogo. 
Para o doutor em Ciências da Terra e especialista em Amazônia Antônio Donato Nobre, se os legisladores do Brasil enxergassem o que a comunidade científica já vê, as ações do governo poderiam ser mais eficazes para a recuperação de biomas via mecanismos de valorização econômica para um uso sustentável da floresta. “No entanto, o que vemos é uma busca frenética por alterar a lei das florestas (como ocorreu com o código florestal) na direção contrária ao que seria urgente: anistia para os desmatadores e estímulo continuado para o processo de desmatamento. 
A sociedade brasileira tem demonstrado preocupação com a floresta e com o clima de forma massiva e inequívoca, fato, entretanto, que não parece sensibilizar a maioria daqueles que fazem as leis”, destaca Nobre. Segundo o pesquisador brasileiro, há consenso na comunidade científica de que a floresta em pé, intacta, tenha alguma capacidade de resistir a mudanças climáticas externas. “Desde os anos 1970 estamos construindo o conhecimento de como a floresta influencia e é influenciada pelo clima. Ela transpira extraordinários volumes de água (aproximadamente 20 bilhões de toneladas evaporam por dia) e condiciona engenhosamente a própria chuva. Além de chuvas, ventos que seccionam a umidade atmosférica do Atlântico para dentro da América do Sul. Esse sistema virtuoso parece ter resistido ao longo de eras geológicas, mas sempre contando com extensiva cobertura florestal nativa”, explica. Contudo, a alteração da cobertura florestal perturba o mecanismo da floresta amazônica e compromete sua capacidade de auto-regeneração. “A teoria da bomba biótica explica o motivo: sem floresta ocorre redução brusca do bombeamento de água via árvores do solo para a atmosfera; menos vapor é emitido pela superfície desmatada, menos condensação nas nuvens, menos ventos nos rios voadores, menor entrada de umidade na região”. Os estudos observacionais de modelagem climática e análise teórica convergem na indicação de que limites importantes de desmatamento e degradação florestal estão se aproximando, reforça o pesquisador. 
De acordo com Lovejoy, restam apenas cinco anos para se inverter as tendências em tempo de se evitar problemas de maior gravidade. Além disso, o biólogo crê que 20% de desflorestamento em relação ao tamanho original da Amazônia é o máximo que ela consegue suportar e o atual índice já é de 17% (em 1965, a taxa era de 3%). Ou seja, a floresta como conhecemos estaria prestes a acabar. Para Antônio Donato Nobre, nos melhores cenários teríamos um clima muito mais seco, parecido com aquele que produz savanas. Isso levaria a ocorrência de fogo, o que dificultaria o retorno da floresta. Já nos piores cenários imaginados, com o sumiço do “oceano verde” os ventos alísios enfraqueceriam até o ponto de não mais entrarem na América do Sul, o que poderia causar uma desertificação em determinadas áreas. “Em qualquer caso, é de se imaginar que uma alteração tão grande nas cabeceiras dos rios voadores deva afetar o transporte de umidade para o Centro Oeste, Sudeste e Sul, o que implicaria em esperar uma acidificação importante ou desertificante para a porção meridional da América do Sul (a região compreendida entre Cuiabá e Buenos Aires, e entre São Paulo e os Andes)”, analisa. Há estudos que sugerem ainda que um desaparecimento da Amazônia teria repercussões diretas nos dois grandes oceanos do mundo, Pacifico e Atlântico, com consequências climáticas globais. (Fonte: Portal Terra) __._,_.___

1 de novembro de 2011

Biocombustíveis vs Alimentos. ONU sugere discussão do G-20




É imprescindível que o debate sobre segurança alimentar esteja atrelado ao “problema dos biocombustíveis”, caso isso não ocorra, toda a discussão será apenas levada a especulações desmedidas. A opinião é de Olivier de Schutter, relator das Nações Unidas para o Direito à Alimentação, que mandou um recado direto aos líderes do G-20 (grupo formado pelas 20 maiores economias do mundo, do qual o Brasil faz parte).

O bloco se reunirá nesta semana, nos dias 2 e 3 de novembro, em Cannes, na França, para discutir sobre a ameaça da produção dos biocombustíveis à segurança alimentar.

O relator convocou os líderes do G-20 para o combate aos impactos negativos ocasionados, algumas vezes, pela produção de biocombustíveis. Ele considerou o plano de acordo criado entre os países do bloco muito fraco, com medidas incapazes de produzir alimentos para as futuras 9 bilhões de pessoas que deverão habitar o mundo em 2050.

Para diminuir o preço dos alimentos e a corrida por terras aráveis em países desenvolvidos, Olivier de Schutter explicou que o G-20 precisa por fim aos subsídios fiscais à produção de biocombustíveis.

A fome do Chifre da África, as baixas colheitas no Oeste africano e as perdas geradas pelas cheias no Sudeste da Ásia foram lembradas pelo especialista como exemplos na urgência da necessidade de combater a volatilidade do preço dos alimentos e a fome crescente. “Quem tem fome não pode esperar”, concluiu o relator da ONU.

Pois é amigos, os biocombustíveis que melhoram o problema da poluição gerada pelo transporte, ocupam a terra que poderia ser usada para o plantio de alimentos. A coisa se complica a cada dia.

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